sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cia. De Teatro Heliópolis Apresenta Seu Novo Espetáculo, Um Lugar Ao Sol, A Partir De 4 De Maio, Em São Paulo



Com direção e concepção de Miguel Rocha, montagem cumpre temporada até 30 de junho, na sede do grupo, a Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho

Resultado do projeto Arte e Cidadania em Heliópolis, que envolve formação, capacitação e pesquisa teatral do elenco pelo período de um ano, o espetáculo UM LUGAR AO SOL, da Companhia de Teatro Heliópolis, estreia no próximo dia 4 de maio, sábado, às 20h, na Casa de Teatro Maria José de Carvalho (Rua Silva Bueno, 1533, Ipiranga), em São Paulo.

Com direção e concepção de Miguel Rocha e dramaturgia de Willian Costa Lima, a montagem cumpre temporada até 30 de junho, aos sábados (20h) e domingos (19h), com entrada franca. Durante o mês de maio, às quintas e sexta-feiras, sempre às 10h, haverá apresentações para escolas. O elenco traz os atores Dalma Régia, David Guimarães e Klaviany Costa.

UM LUGAR AO SOL foi construída a partir de um processo colaborativo coordenado por Miguel Rocha, em que os artistas envolvidos no projeto realizaram de próprio punho uma intensa pesquisa em Heliópolis, zona sul de São Paulo: a proposta foi colher depoimentos de moradores sobre o que seria “um lugar ao sol” para cada um deles.

Assim, o eixo dramático do espetáculo discorre sobre a vida de quatro moradores de uma comunidade que, após passarem por acontecimentos marcantes, buscam compreender o sentido de suas vidas em seu cotidiano. Embora as histórias dividam um espaço comum, cada uma se propõe a narrar um sonho diferente.
A história de Eliete dos Cachorros aborda o abandono familiar. Uma idosa deixada por seus filhos encontra em seus 11 cachorros a possibilidade de construir uma nova família. A loucura e a imaginação são as vias encontradas pela personagem para encarar a dor da realidade e, ludicamente, construir sua família ideal.

Juvenal, por sua vez, é um pedreiro que durante anos cumpre metodicamente seu ofício de construir casas, mas, em determinado momento, percebe-se só. O talento para o trabalho se contrapõe à dificuldade em erguer uma sólida relação afetiva com alguém, agravada pelo alcoolismo. A busca por um relacionamento que preencha este vazio é seu desafio.

 Uma terceira história é contada por todo elenco, não especificamente focada em um personagem, mas, sim, num discurso mais social e crítico: o da realidade dos jovens estudantes das periferias. Trata-se de uma dolorosa e divertida epopeia em busca do ingresso numa universidade.

Por fim, o espetáculo retrata o assassinato da menina Leonarda, morta no caminho entre sua casa e a escola. A narrativa retrata o ponto de vista da mãe no início, mas aos poucos deixa de ser subjetiva e se torna pública, à medida que a comunidade se envolve diante da dor da mãe. Embora o lugar ao sol da mãe não seja nunca alcançado, o triste episódio uniu a todos em busca de um ideal comum: a paz. 

“A junção das histórias acontece em uma estrutura fragmentada, dispondo-se, assim, à construção de uma visão híbrida e humana do que possa vir a ser um lugar ao sol para personagens oriundos de uma realidade social desprivilegiada”, comenta o diretor Miguel Rocha. O projeto Arte e Cidadania em Heliópolis Módulo III, que resultou neste espetáculo, tem o patrocínio da Petrobras e apoio do SESC São Paulo.

Companhia de Teatro Heliópolis
Fundada em 2000 por artistas e moradores de Heliópolis – a segunda maior comunidade carente da América Latina, com 130 mil habitantes (quase 50% jovens de até 21 anos) e uma área de quase 1 milhão de m2, na região Sudeste da cidade de São Paulo –, a Companhia de Teatro Heliópolis vem contribuindo para o aumento da autoestima da comunidade e a ampliação de seu universo cultural.

 Para isso, tem democratizado o acesso à cultura e realizado ações para formação de público, além de oficinas de formação artística. Entre seus objetivos está a formação de cidadãos conscientes, críticos e proativos, tanto para o desenvolvimento da comunidade como de suas individualidades artísticas, afetivas e humanas; e também o resgate da imagem de Heliópolis em seus aspectos positivos.

 O espetáculo de estreia foi Queda Para o Alto (2000), de Sandra Mara Herzer, na Casa de Cultura Maria José Carvalho. Sucesso de crítica e público, a montagem também foi encenada no Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez Corrêa e viajou por todo estado, em parcerias com a Secretaria de Estado da Cultura e o Circuito SESC de Teatro. Dois anos depois, esteve em cartaz em sete capitais brasileiras, em temporada patrocinada pela Petrobras.

Em 2003, Eu Quero Ver O Sol Nascer Não Do Jeito Que Eu Vejo, solo de Miguel Rocha que integrou o projeto Solos do Brasil, idealizado por Egla Monteiro e sob coordenação artística de Denise Stoklos, também passou a fazer parte do repertório da Companhia. Depois, vieram Coração de Vidro (2004), Os Meninos do Brasil (2007) e O Dia Em Que Túlio Descobriu A África (2009), este fruto do projeto Arte e Cidadania em Heliópolis, em parceria com a Companhia de Solistas.

Também em 2009, o grupo ocupou a Casa de Teatro Maria José de Carvalho, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura. Desde então, o intuito tem sido recuperar e restaurar o espaço, além de honrar a herança da pianista, poeta, tradutora e militante da cultura que dá nome ao local, onde reunia importantes personalidades da cena artística em famosos saraus. Hoje, a Casa conta com espaço para ensaios e aulas, biblioteca, jardim e uma sala multiuso para apresentações.

Os espetáculos mais recentes da Companhia são Eu Quero Sexo, Será que Vai Rolar (2010) e Heliópolis/Nordeste/Brasil I Ato (2010/11), este o segundo módulo do Projeto Arte e Cidadania em Heliópolis, com direção de Cris Lozano e dramaturgia de Ana Roxo, indicado ao Prêmio da Cooperativa Paulista de Teatro na categoria Grupo Revelação.

Em 2012, realizou intercâmbio internacional com o MC Theater da Holanda, no Brasil e em Amsterdã, que resultou no espetáculo A Hora Final, apresentado nos dias 6 e 7 de dezembro na sede do grupo, na capital holandesa.

FICHA TÉCNICA
Concepção e direção - Miguel Rocha
Dramaturgia - William Costa Lima
Elenco - Dalma Régia, David Guimarães e Klaviany Costa
Direção Musical - William Paiva
Músicos - William Paiva e Kimayr A. B. Molbek
Música “Pergunta”: Cristiano Meirelles.
Preparação corporal e direção de movimento - Lucia Kakazu
Cenografia e figurinos - Clau Carmo
Professores: Paulino Fabiano e Marcelo Lazzaratto (interpretação), Lúcia Kakazu (expressão corporal), Bernadeth Alves (história do teatro), Lu Favoreto (dança), Lúcia Gayotto e Beth Beli (expressão vocal).
Realização - Companhia de Teatro Heliópolis
Patrocínio: Petrobras

SERVIÇO
“UM LUGAR AO SOL”
CIA. DE TEATRO HELIÓPOLIS
Temporada: De 4 de maio a 30 de junho.
Sessões: Aos sábados (20h) e domingos (19h)
Às quintas e sextas-feiras haverá apresentações para escolas
Informações: (11) 2060-0318 ou e-mail: ctheliopolis@ig.com.br

Local: Casa de Teatro Mariajosé de Carvalho
Endereço: Rua Silva Bueno 1533, Ipiranga - São Paulo.
Duração: 70 minutos
Capacidade: 100 lugares
Entrada Franca
Classificação: Livre

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