Modelo de sete lugares chega em duas versões com motor 2.0 turbo de 231 cv
A Mercedes-Benz Classe V inicia sua trajetória no Brasil em duas versões e abre uma frente de atuação da marca no transporte de até sete ocupantes. A V 300 Avantgarde custa R$ 729.900, enquanto a V 300 Elegance chega a R$ 834.900. Ambas utilizam motor M254 2.0 turbo a gasolina de 231 cv e 370 Nm, transmissão automática 9G-TRONIC e tração traseira. A diferença entre elas está principalmente na configuração destinada aos passageiros da segunda fileira.
As duas configurações têm sete lugares, 5,37 metros de comprimento e porta-malas de 1.410 litros. Na Avantgarde, a segunda fileira utiliza dois bancos Comfort individuais, que podem ser posicionados frente a frente. A Elegance direciona ainda mais atenção a esses ocupantes, com bancos individuais que oferecem climatização, apoio para os pés e carregamento de smartphone por indução. É uma arquitetura que altera inclusive a perspectiva de uma avaliação: neste caso, entender o automóvel também exige observar o que acontece longe do volante.
Foi com essa questão em mente que iniciei meu primeiro contato com o Classe V em São Paulo. O percurso começou no Palacete Veridiana, na região central da cidade, seguiu até o Mercado Livre Arena Pacaembu e terminou novamente no ponto de partida. Foram quase 60 minutos em uma tarde chuvosa de quarta-feira, com trânsito compatível com as condições encontradas naquele horário.
A baixa velocidade e o percurso reduzido não permitem estabelecer conclusões sobre desempenho, consumo ou comportamento do conjunto formado pelo motor de 231 cv e câmbio de nove marchas. O que pude observar é que essa configuração atende à proposta de movimentar um veículo de 5,37 metros no trânsito, sem exigir do motorista intervenções constantes. Uma avaliação rodoviária será necessária para compreender melhor retomadas, funcionamento do câmbio e comportamento em velocidades maiores.
Por outro lado, uma hora no trânsito foi suficiente para compreender por que os passageiros ocupam posição central no projeto. O acesso é feito por portas laterais deslizantes com acionamento elétrico e a cabine oferece espaço para circulação e diferentes configurações dos bancos. O acabamento em couro Lugano, revestimentos do painel e elementos em madeira fazem parte de um ambiente que mantém referências encontradas em automóveis da Mercedes-Benz, mas aplicado a uma arquitetura destinada a sete pessoas.
Climatização THERMOTRONIC, ar-condicionado traseiro TEMPMATIC, iluminação ambiente com 64 opções e sistema de som Burmester 3D também participam dessa experiência. O MBUX e o cockpit widescreen concentram conectividade e informações na parte dianteira, enquanto a segunda fileira assume outra função conforme a versão escolhida.
O deslocamento também mostrou como dimensões e tecnologia precisam trabalhar juntas no ambiente urbano. Com mais de cinco metros de comprimento, o Classe V exige atenção em espaços menores. Câmera 360 graus, pacote de estacionamento, monitoramento de ponto cego e sistemas de assistência ajudam a administrar essa característica. Há ainda DISTRONIC, assistente ativo de frenagem, manutenção de faixa, ATTENTION ASSIST, PRE-SAFE e câmera de monitoramento do motorista.
Compartilhei parte dessa experiência com os jornalistas Leo Doca, do Portal Transporta Brasil e Jornal do Carro, e Vagner Aquino, do Diário do Grande ABC. Além da troca de impressões sobre o veículo durante o percurso, a conversa permitiu observar o Classe V sob diferentes perspectivas. Em uma avaliação tão curta, discutir posição dos bancos, espaço, acabamento, acesso e soluções de cabine ajudou a ampliar aquilo que cada um conseguia perceber individualmente.
Esse primeiro contato também deixou claro o que ainda falta conhecer. Quero voltar ao Classe V por um período maior e levá-lo para fora de São Paulo. Uma viagem ao interior ou ao litoral permitiria avaliar o motor de 231 cv, os 370 Nm, o 9G-TRONIC, a tração traseira e, principalmente, descobrir como motorista e passageiros convivem com o veículo depois de algumas horas de estrada.
Ao concluir este primeiro contato com o Mercedes-Benz Classe V, destaco três pontos. O primeiro é o acabamento da cabine, que mantém soluções encontradas nos automóveis da marca e as transfere para um veículo destinado a sete ocupantes. O segundo é o espaço e a configuração da segunda fileira, que coloca o passageiro no centro da proposta. O terceiro é a combinação entre portas elétricas, climatização, conectividade e sistemas de assistência para facilitar a utilização.
Como ponto que pode ser melhorado, ainda não considero correto apontar uma característica do produto depois de um percurso urbano tão limitado. O que precisa melhorar, neste caso, é a própria condição da avaliação: mais tempo com o Classe V e uma viagem serão necessários para que eu possa analisar seu conjunto mecânico e descobrir se a experiência na estrada confirma aquilo que esse primeiro contato mostrou na cabine.
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