23 de novembro de 2025

O que as convulsões revelam sobre a saúde dos cães




Identificação precoce de sinais e tratamento adequado permitem controle das crises e segurança ao animal


Texto: Sérgio Dias
Fotos: Pixabay

A ocorrência de uma convulsão em cães mobiliza a atenção dos tutores e exige ação imediata, porque o episódio representa uma atividade elétrica anormal no cérebro e pode indicar alterações neurológicas, metabólicas ou tóxicas. Esses eventos atingem animais de diferentes idades e perfis e acontecem de forma súbita, em ambientes domésticos ou externos, levando os tutores a buscarem atendimento emergencial para compreender o motivo do episódio e determinar o avanço das investigações.


O acontecimento envolve o animal como agente principal, surge quando há descargas elétricas irregulares no cérebro e se manifesta por tremores, rigidez muscular, movimentos involuntários e, em alguns casos, perda de consciência. As crises ocorrem em qualquer horário e local, variam em duração e intensidade e são percebidas de diferentes maneiras pelos tutores, desde sinais discretos até episódios mais evidentes. O encaminhamento rápido ao médico-veterinário é o procedimento que determina as etapas seguintes de diagnóstico e tratamento.

A convulsão pode decorrer de causas genéticas, alterações estruturais no cérebro, doenças metabólicas, infecções virais ou bacterianas, intoxicações e traumas. A epilepsia aparece com frequência na rotina clínica e é caracterizada por crises recorrentes decorrentes de atividade elétrica anormal. Há registros de predisposição em algumas raças e uma parcela dos casos não apresenta causa definida, sendo classificada como epilepsia idiopática. A identificação da origem depende de avaliação especializada e de exames complementares, que orientam a linha terapêutica.

Segundo a neurologista veterinária do Nouvet, Dra. Carla Sarkis, reconhecer os sinais iniciais ajuda o tutor a agir com segurança durante a crise. “Durante uma crise, o cão pode apresentar mudança de comportamento, tremores, movimentos de pedalagem, salivação intensa e, às vezes, perda de consciência. Antes da crise, é comum notar mudanças de comportamento, como inquietação, agitação ou busca excessiva por atenção”, afirma.

Os episódios convulsivos se apresentam em diferentes fases. Na etapa que antecede a crise, alguns cães ficam inquietos, ansiosos ou buscam proximidade com o tutor. Durante a convulsão, podem ocorrer rigidez muscular, tremores, salivação e eliminação involuntária de urina e fezes. Após o episódio, alguns animais demonstram desorientação, dificuldade de locomoção ou visão temporariamente comprometida. A observação do tutor sobre o comportamento antes, durante e depois das crises auxilia o especialista na formação do diagnóstico.

O médico-veterinário inicia a investigação analisando o histórico clínico e os detalhes fornecidos pelos tutores, que incluem duração da crise, frequência e comportamento associado. Exames laboratoriais ajudam a identificar possíveis causas metabólicas e intoxicações, enquanto exames de imagem, como a ressonância magnética, são usados para descartar alterações estruturais no sistema nervoso central. A partir do diagnóstico, o tratamento é definido conforme a origem da convulsão.

A epilepsia é tratada com medicamentos anticonvulsivantes, como o fenobarbital, que podem ser combinados a outras substâncias conforme a resposta do animal. O tratamento direcionado à causa principal, quando identificada, integra o processo e exige acompanhamento regular para ajuste de doses e monitoramento de efeitos colaterais. A gestão da doença também inclui cuidados complementares, como rotina estável, ambiente sem estímulos excessivos e registro das crises para análise periódica.

A Dra. Carla Sarkis reforça que o manejo adequado depende de orientação profissional. “Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, maiores as chances de controlar as crises e garantir o bem-estar do animal. O tutor nunca deve medicar o cão por conta própria — somente o veterinário pode indicar o tratamento e a dosagem correta”, destaca.

Cães tratados e acompanhados de forma contínua podem manter qualidade de vida e convivência segura, desde que o controle das crises seja monitorado e que todas as medidas clínicas e ambientais recomendadas sejam adotadas. O reconhecimento dos sinais e a busca imediata por atendimento especializado são determinantes para reduzir riscos e assegurar a estabilidade do quadro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ultima Postagem

Maragogi amplia perfil turístico com hospedagens exclusivas

Pousada Camurim Grande exemplifica tendência de hospedagem personalizada Maragogi, no litoral norte de Alagoas, vive uma transformação em se...